Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

Surpresa 1# - Capitulo 4 - The Power of Love

em 11 de julho de 2015

À medida que me aproximava da grande porta que dava entrada para a mansão à qual chamava de minha casa, vários pensamentos me iam passando pela cabeça. “Será que eu tenho sido injusta com a mãe? Terá ela tentando proteger-me do seu sofrimento este tempo todo?” São perguntas ao qual iria, não tarda, obter resposta. Rodeia a chave na fechadura, abrindo a porta. Entrei dentro de casa. Bertha vinha da sala.
- Menina! Chegou mesmo a tempo do jantar. – Disse ela, sorrindo afavelmente.
- Não tenho fome, Bertha, mas obrigada. – Proferi, devolvendo o sorriso.
- Oh! Mas a menina tem de comer alguma coisa.
- Eu como qualquer coisa mais tarde, não te preocupes. – Tentei sossegá-la. – Onde está a minha mãe?
- Pronto, está bem! Mrs. Owen está na saleta desde que a menina saiu esta manhã. – Comunicou-me Bertha, algo preocupada.
Juntei os lábios numa linha.
- Obrigada Bertha! Eu vou ver como ela está! – Proferi, dando-lhe um beijo na testa e dirigindo-me para a saleta.
A divisão ficava numa porta perto da entrada para a sala. Dei dois toques na porta com uma mão e com a outra girei a maçaneta.
- Mãe? – Apelei.
Assim que entro na divisão vejo-a sentada na cheselong, a olhar pela janela.
Pousei a mala e o casaco em cima da mesa de escritório de madeira. Respirei fundo, dirigindo-me a ela e sentando-me perto dos seus pés, também virada para a janela.
- Mãe? – Apelei mais uma vez, afagando-lhe a perna.
Nesse momento, ela vira o rosto para mim. Tinha os olhos inchados. Uma pontada de culpa dilacerou o meu coração.
- Já chegaste! – Disse ela, dando um sorriso melancólico.
- Precisamos de falar. – Proferi, firme, mas gentilmente.
Ela desviou de novo o olhar para a janela.
- O que queres saber?
Virei o corpo para ela.
- O porquê. Só preciso de saber o porquê, mãe!
Ela olhou de novo para mim e sentou-se direita, encostada à cheselong.
- Eu… Eu não sabia lidar com a tamanha dor de perder o amor da minha vida e então, refugiei-me nas festas para tentar esquecer… - As lágrimas já ameaçavam cair dos olhos. – Mas não te queria deixar sozinha, estavas a sofrer tanto… E acabei por te “arrastar” comigo, pensando que estava a fazer o melhor. – Baixou o olhar. – Mas não era… E tu acabaste por ficar a pensar o pior de mim.- Abanou a cabeça, com as mãos a esconder o rosto. Deixou cair os braços pesadamente, ao longo ao longo do seu tronco. – Tenho de admitir que fiquei muito magoada com o que disseste esta manhã, mas não te censuro, aliás, seria incapaz de te censurar, afinal de contas, foram as minhas ações que te fizeram ter essa opinião. – À medida que falava as lágrimas caiam, tanto no seu rosto, como no meu. A minha mãe estava de rastos. Eu pus a minha mãe de rastos. – Eu fui egoísta, só pensei no meu sofrimento e na minha perda e esqueci-me que tinha uma filha, que também tinha perdido o pai…
- Não, mãe – interrompi-a, apertando a sua perna – tu pensaste em mim, tu própria já o disseste. – Ela olhava para mim, confusa. – Tu não querias deixar-me sozinha, por isso levavas-me às festas contigo. Mas ao mesmo tempo, deixavas-me sozinha na mesma. Quer dizer, eu sentia-me sozinha na mesma. – Ela baixou de novo o olhar. – E eu só precisava de ti, do teu colo. – A minha mãe começou a soluçar, com os olhos marejados de lágrimas.
Levantei-me e incitei-a a chegar-se para o lado, para eu sentar-me mais perto dela. Pus um braço à volta dos seus ombros, afagando o mesmo. Ela encostou a cabeça no meu ombro, chorando cada vez mais. E eu chorei com ela, silenciosamente.
Ficámos assim largos minutos até que ela se afasta ligeiramente, pegando nas minhas mãos.
- Perdoa-me por tudo o que te fiz passar! Perdoa-me, por favor! – Pediu-me, suplicante.
Eu olhava para ela, ternamente.
- Eu não preciso de te perdoar por nada, mamã. – Acariciei o seu rosto. – Tu só tentaste fazer o melhor para mim e eu não conseguia ver isso. Por isso, eu é que tenho de te pedir perdão.
Ela levou também uma mão ao meu rosto, sorrindo melancolicamente.
- Há tanto tempo que não me chamavas “mamã”. – Dei uma pequena gargalhada.
Nesse momento, sinto os seus braços envolverem-me, fazendo-me soluçar um pouco.
- Amo-te muito, muito, muito! – Sussurrou ao meu ouvido.
- Também te amo muito, mamã. – Apertei-a mais nos meus braços.
De repente, ouve-se alguma coisa roncar, fazer ambas gargalharmos, quebrando o abraço que partilhávamos.
- Acho que estou com fome. – Murmurou a minha mãe acariciando o seu estômago.
Eu ri um pouco.
- Por acaso eu também. - Admiti. – Porque não vais tomar um banho e eu vou pedir à Bertha para servir o jantar?
- Aceito! – Disse, sorrindo mais abertamente. Parecia mais leve.
Levantou-se da cheselong, encaminhando-se para a porta.
- Mãe! – Apelei. Ela virou-se para mim. – A partir de agora, sempre que alguma de nós tiver algum problema ou estiver a sofrer por alguma razão, vai ter com a outra.
Quando acabo de falar ela dirige-se outra vez a mim, sentando-se há minha frente e estica o dedo mindinho.
- Prometo. – Eu sorri e entrelacei os nossos dedos mindinhos.



Esta foi a primeira demonstração de amor entre a Kate e a mãe.
Espero que tenham gostado ^^

Capitulo 3

em 21 de junho de 2015


Quando cheguei ao cemitério, encontrei um homem ajoelhado ao lado da campa do meu pai. Aproximei-me.
- Tio?
- Katie! – O homem ergueu-se e abraçou-me.
Eu retribui, fechando os olhos com força.
Ele afastou-me ligeiramente, olhando-me de cima a baixo.
- Estás tão crescida, querida.
Eu ri, abraçando-o mais uma vez.
- Então? O que fazes aqui na vila, afinal? – Perguntei, sentando-me ao seu lado num banco.
- Vim visitar a minha sobrinha preferida. Porquê? Não posso?
- Eu sou a única sobrinha que tens, e emprestada, mas pronto. – Proferi, encolhendo os ombros.
Ele riu-se.
- Agora a sério – recomeçou. – Vim tratar de uns negócios, com a tua mãe, e aproveitei para visitar a campa do teu pai, já que hoje…enfim. – Baixou a cabeça e passou a mão pelo cabelo.
- Eu sei, tio, eu sei. – Afaguei-lhe o braço.
 Ficámos uns minutos em silêncio.
- A tua mãe contou-me o que aconteceu esta manhã!
Fiz um movimento de impaciência com a cabeça.
- Não quero falar sobre isso agora, tio.
- Temos de falar, Kate. – Ripostou, olhando-me gravemente. – A tua mãe está mal com o que aconteceu e está magoada.
- Com o quê? Comigo? Eu é que estou magoada com ela tio, e muito. Ela esqueceu o papá e só ainda passaram 2 anos.
- Não Kate, ela não esqueceu. Como é que podes dizer isso? – Disse o meu tio, em tom reprovador.
- Ela esqueceu-se do que o dia de hoje significava, a sua única preocupação era o que ia levar vestido na festa de hoje… - Baixei a cabeça, uma lágrima já ameaçava cair.
- Oh! Kate! É a forma da tua mãe lidar com a dor. Ela amava o teu pai…
- Não, não amava tio, ela usou-o…
- Chega! – Disse, levantando-se do banco de rompante. – Chega Kate! Tu não falas mais assim da tua mãe, nunca mais, ouviste! Ela não merece…
- E eu mereci ser arrastada para todas aquelas festas, quando estava a sofrer pela morte do meu próprio pai?! Eu nunca vi ela deitar uma única lágrima, nem no funeral…
- Ela apenas não queria que tu a visses chorar, ela só chorava no quarto, sozinha, ou comigo, na saleta. E só te levava às festas porque não te queria deixar sozinha.
- Mas deixou na mesma, tio. Eu não precisava de festas para não me sentir sozinha, só precisava dela… - Disse eu, e desatei a chorar.
- Oh! Katie! Anda cá! – Sentou-se de novo ao meu lado e puxou-me para si.

- Obrigada pela bolei, tio. Agradeci, inclinando-me para lhe dar um beijo de despedida.
 - Não tens de quê, querida. Eu depois mando vir cá trazer a Scooter.
Assenti e abri a porta do carro, preparando-me para sair.
- Katie! – Olhei para trás. – Fala com a tua mãe, sim?
Respirei fundo, fechando os olhos.
- Prometo. – Dei um pequeno sorriso e saí do carro. 




Aqui está o Capitulo 3. Se tiverem sorte, é capaz de haver um Capitulo 4 daqui a três semanas. ;)
(Sim, só daqui a três semanas... É quando já estou despachada dos recursos...)

Outros capítulos:

em 18 de junho de 2015


E o Capitulo 3 está pronto. :D Só falta passar para o computador... :p

Capitulo 2

em 11 de abril de 2015

- Então? O que se passa? Estás muito calada hoje. – Perguntou-me Mary, quando saímos da primeira aula. – Discutiste outra vez com a tua mãe, foi?
Dirigi-mo-nos aos cacifos. Respirei fundo, abrindo o meu.
- Porque é que tu me conheces tão bem? – Murmurei. Ela sorriu, em resposta. – Hoje fazem dois anos que o meu pai morreu, e ela nem se lembrou, e ainda teve a lata de me falar sobre a festa desta noite. Mais uma a que ela me quer arrastar. – Contei, enquanto colocava os livros da primeira aula no cacifo.
Ela colocou uma mão no meu ombro, apertando-o ligeiramente e, quando ela ia dizer algo, alguém clamou:
- Kate!
Olho para traz.
- Eric! Olá!
Ele sorriu.
- Está tudo bem? Parecias triste há pouco, na aula.
- Ah! - Murmurei, trocando um olhar com a Mary. – Sim, só estou a ter um dia menos bom.
- Hum… - Ele olhou-me com ar de desconfiado. – Tens alguma coisa combinada para depois das aulas? – Perguntou-me, mudando de assunto.
- Não, porquê? – Respondi, trocando um olhar com Mary, de novo.
- É que estou com umas dúvidas na matéria de Matemática. Achas que nos podíamos encontrar, depois das aulas, para me ajudares?
- Ah! Claro. A que horas?
Vi um sorriso formar-se no seu rosto.
- Às três, no Mario’s?
- Ok. Lá estarei. – Sorri.
Ele continuava a sorrir.
De repente, vejo o seu rosto aproximar-se do meu e a deixar um beijo na minha face. Começo a sentir o meu coração a bater muito rapidamente.
- Então, até logo!
- Até logo! – Murmuro, em resposta.
Quando ele se afastou, levei a mão ao rosto, acariciando com a ponta dos dedos, o sítio onde ele tinha deixado o beijo. O meu coração continuava acelerado.
- Uau! O que foi isto? – Ouvi Mary dizer. – Kate?
- Hã? O que foi? – Murmurei, acordando daquele pequeno “transe”.
- Ui! Não me digas que já estás apanhadinha por ele?
- O quê? Por quem? – Perguntei, fechando o cacifo.
- Pelo Eric, Kate!
- Áh! Não, claro que não.
- Pois, mas parece. Ficaste toda derretida, quando ele te deu aquele beijo.
- Não fiquei nada.
Ela riu-se.
- Então porque estás a corar?
- Oh! Porque… - Nesse momento, o toque de entrada suou, salvando-me das explicações. – Olha, vamos mas é para a aula. – Proferi, começando a caminhar.
- Ok, mas não penses que esta conversa fica por aqui.
- Sim, mamã… - Murmurei, sorrindo e revirando os olhos.

Estacionei a scooter à frente do Mario’s, do outro lado da estrada, por volta das 15h05. A esplanada estava cheia. Apesar de se sentir uma aragem gelada na rua, o Sol resplandecia, quente e acolhedor.
Atravessei a rua e galguei o pequeno gradeamento de ferro que protegia a esplanada. Entrei dentro do estabelecimento e olhei em volta, em busca de Eric. Caminhei até ao balcão, onde se encontrava Mario, o dono do negócio ao qual dera o seu nome; um homem nos seus quarenta e poucos anos, com uns quilinhos a mais e um bigode negro, da qual ele se orgulhava muito.
- Olá, Mário! – Cumprimentei-o, sorrindo. – Por acaso não sabe se o Eric já está por aqui?
- Sim, sim! Chegou á uns minutos. Está ali, naquela mesa do canto. – Respondeu-me, sorrindo, e apontou para o sitio que estava a falar.
Olhei nessa direção. Lá estava ele, sentado numa pequena mesa quadrada, de madeira, encostada à parede de tijolo, concentrado nos livros.
- Obrigada. – Disse eu, sorrido.
- De nada, querida. Olha, queres alguma coisa?
- Hum… Pode ser um café, obrigada.
- Está bem! Já vou levar.
Assenti e caminhei até àquela mesa, parando em frente a ele.
- Olá! – Murmurei.
Ele olhou para cima e o seu rosto pareceu iluminar-se. Eu sorri.
- Oh! Olá! Senta-te.
Sentei-me, retirando os livros de matemática da mala.
- Estou muito atrasada? – Perguntei.
- Não, eu também só cheguei à uns minutos. – Respondeu ele, dando uma olhadela ao relógio.
Eu assenti.
Passado uns minutos, o meu café chegou, a fumegar numa chávena de chá redonda.
- Então? Em que tens duvidas? – Perguntei, bebericando um pouco do meu café.
- Ah! Bem, na matéria do T.P.C., não percebo nada. – Respondeu-me, coçando a cabeça.
- Ok. Então vamos fazê-lo em conjunto, para ser mais fácil.
Ele assentiu, mirando-me com os olhos a brilhar.
- Ora, então vamos lá. – Murmurei, abrindo o caderno e sorrindo mais uma vez.
Uma hora e meia depois, fechámos os livros e decidimos pedir alguma coisa para comer. Um prato de crepes, enrolados em triângulo, recheados com compota de morango, foi o que escolhemos, para partilhar.
- Então, vais contar-me o que tinhas esta manhã? – Perguntou-me ele, a certa altura.
- Hum… - Murmurei, limpando os lábios com o guardanapo.
- Bem, se não quiseres contar não faz mal, estás no teu direito. – Apressou-se a dizer, encostando-se na cadeira.
- Não, eu quero contar. – Proferi, colocando a mão no seu antebraço, retirando-a rapidamente a seguir.
- Ok. – Ele assentiu, recostando-se na cadeira.
Olhei-o nos olhos. Eram tão bonitos e…sinceros e acolhedores, estranhamente acolhedores. Fizeram-me sentir que podia contar-lhe tudo… E contei.
A meio da história ele arrastou a cadeira para mais perto de mim, segurando a minha mão. Quando acabei de falar, deixei escapar uma lágrima, imediatamente limpa pelo dedo gordo de Eric.
- Desculpa. Murmurou, deixando ficar a mão no meu rosto.
- Porquê? – Perguntei, olhando-o nos olhos.
- Porque não estive lá quando mais precisaste, porque te ignorei e desprezei, em vez de te ajudar.
- Não, tu não me desprezaste, só de olhares para mim sem ser com pena, já me estavas a ajudar.
- O quê?
- Ao contrário de todos os que me ignoravam, tu não me olhavas com pena, só me transmitias força, era como se me estivesses a dizer que compreendias o que eu estava a sentir.
- A sério?
Eu assenti. Um pequeno sorriso apareceu nos seus lábios. A sua mão continuava no meu rosto. Vi os seus olhos baixarem para os meus lábios. Entreabri os lábios, suspirando ligeiramente. O seu rosto ia aproximando-se, mas, quando estava quase a beijar-me, o meu telemóvel começa a tocar. Eu baixo a cabeça… E ele encosta a sua à minha.
Tiro o telemóvel da mala e olho para o ecrã. “Tio Martin”.
- Ah! Importaste que eu atenda? – Pergunto, apontando para o telemóvel.
- Não, claro que não. Estás à vontade. – Respondeu-me Eric, que já se encontrava no seu lugar original.
Assenti, deslizando o botão verde para a direita e colocando o telemóvel no ouvido.
- Olá, tio!
- “Olá, Katie!”
Eu sorri.
- “Como estás, querida?”
- Bem, dentro dos possíveis.
- “Hum… Olha, cheguei agora ao cemitério, porque não vens ter comigo, para falarmos?”
- Mas tu estás na vila?
- “Sim, cheguei na hora do almoço. Então? Vens ter comigo ou não?”
- Ah! Sim, claro. Estou aí em 15 minutos.
- “Está bem! Então, até já!”
- Até já, tio!
- Era o irmão do teu pai? – Perguntou-me Eric, assim que desliguei.
- Não, era o melhor amigo e um grande amigo para a família. Ajudou-me muito, quando o meu pai morreu. – Guardei o telemóvel na mala, assim como os livros. – Bem, tenho de ir andando. - Anunciei, levantando-me.
Ele levanta-se também.
- Obrigada por me teres ouvido. – Disse eu.
- Eu é que agradeço, por teres confiado em mim. – Respondeu ele.
Eu sorri.
Por momentos, congelámos, ali, os dois, a olhar-nos, profundamente, até que eu, por fim, “acordo”.
- Bem, tenho mesmo de ir. – Anuncio, mais uma vez, ajeitando a mala no meu ombro. – Até amanhã!



Para quem ainda não leu: Capitulo 1.
Topo