domingo, 21 de junho de 2015

Capitulo 3


Quando cheguei ao cemitério, encontrei um homem ajoelhado ao lado da campa do meu pai. Aproximei-me.
- Tio?
- Katie! – O homem ergueu-se e abraçou-me.
Eu retribui, fechando os olhos com força.
Ele afastou-me ligeiramente, olhando-me de cima a baixo.
- Estás tão crescida, querida.
Eu ri, abraçando-o mais uma vez.
- Então? O que fazes aqui na vila, afinal? – Perguntei, sentando-me ao seu lado num banco.
- Vim visitar a minha sobrinha preferida. Porquê? Não posso?
- Eu sou a única sobrinha que tens, e emprestada, mas pronto. – Proferi, encolhendo os ombros.
Ele riu-se.
- Agora a sério – recomeçou. – Vim tratar de uns negócios, com a tua mãe, e aproveitei para visitar a campa do teu pai, já que hoje…enfim. – Baixou a cabeça e passou a mão pelo cabelo.
- Eu sei, tio, eu sei. – Afaguei-lhe o braço.
 Ficámos uns minutos em silêncio.
- A tua mãe contou-me o que aconteceu esta manhã!
Fiz um movimento de impaciência com a cabeça.
- Não quero falar sobre isso agora, tio.
- Temos de falar, Kate. – Ripostou, olhando-me gravemente. – A tua mãe está mal com o que aconteceu e está magoada.
- Com o quê? Comigo? Eu é que estou magoada com ela tio, e muito. Ela esqueceu o papá e só ainda passaram 2 anos.
- Não Kate, ela não esqueceu. Como é que podes dizer isso? – Disse o meu tio, em tom reprovador.
- Ela esqueceu-se do que o dia de hoje significava, a sua única preocupação era o que ia levar vestido na festa de hoje… - Baixei a cabeça, uma lágrima já ameaçava cair.
- Oh! Kate! É a forma da tua mãe lidar com a dor. Ela amava o teu pai…
- Não, não amava tio, ela usou-o…
- Chega! – Disse, levantando-se do banco de rompante. – Chega Kate! Tu não falas mais assim da tua mãe, nunca mais, ouviste! Ela não merece…
- E eu mereci ser arrastada para todas aquelas festas, quando estava a sofrer pela morte do meu próprio pai?! Eu nunca vi ela deitar uma única lágrima, nem no funeral…
- Ela apenas não queria que tu a visses chorar, ela só chorava no quarto, sozinha, ou comigo, na saleta. E só te levava às festas porque não te queria deixar sozinha.
- Mas deixou na mesma, tio. Eu não precisava de festas para não me sentir sozinha, só precisava dela… - Disse eu, e desatei a chorar.
- Oh! Katie! Anda cá! – Sentou-se de novo ao meu lado e puxou-me para si.

- Obrigada pela bolei, tio. Agradeci, inclinando-me para lhe dar um beijo de despedida.
 - Não tens de quê, querida. Eu depois mando vir cá trazer a Scooter.
Assenti e abri a porta do carro, preparando-me para sair.
- Katie! – Olhei para trás. – Fala com a tua mãe, sim?
Respirei fundo, fechando os olhos.
- Prometo. – Dei um pequeno sorriso e saí do carro. 




Aqui está o Capitulo 3. Se tiverem sorte, é capaz de haver um Capitulo 4 daqui a três semanas. ;)
(Sim, só daqui a três semanas... É quando já estou despachada dos recursos...)

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